Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Sameiro 3
3 O templo do Sameiro – continuação do numero dois A DESTRUIÇÃO DO MONUMENTO. Confirmava-se o facto de na noite de 9 de Janeiro, pelas 10 horas da noite, tinha ecoado pela cidade, mo meio de um grande vendaval e furiosa trovoada, um enorme estrondo vindo dos lados do Sameiro. Os operários que ali por perto moravam, assustados, não foram ver do que se tinha passado. Algum noctívago que andava pela Arcada, em Braga, afirmou ter observado um grande clarão no cimo do monte. Disse-se que também se tinha sentido um certo abalo numa casa no Bom Jesus. Na manhã seguinte, deparou-se aos operários, a destruição do Monumento, todo esfrangalhada, os destroços espalhados por todo o terreiro, algumas pedras cravadas na porta do principiado templo e, caso milagroso, mo meio de toda aquela destruição, o busto, a cabeça da Senhora, incólume. Muita gente das redondezas e da cidade, logo pela manhã ocorreu ao Sameiro e logo perante os destroços todos se interrogavam :-O QUE FOI ? E aí principiaram as especulações. Os anticlericais, chamados “espíritos superiores”, atribuíam a causas do colapso a causas naturais. Em contrário, os católicos, por amor à causa, achavam que se tinha tratado dos inimigos de Deus. Mas os bracarenses não se ficaram, carpir lamentações diante dos escombros. Imediatamente se constituiu uma Comissão presidida por José F. de Almeida para arranjar fundos para a reconstrução do Monumento. A obra iniciou-se no dia 28 de Julho de 1883, sete meses após o sinistro. Depois de uma missa, e depois de discursos congratulatórios, principiaram por entre repiques de sinos e o estralejar de foguetes e o som de bandas de música, que executaram o hino de Nossa Senhora do Sameiro, os operários os trabalhos da reconstrução do Monumento. A Comissão trabalhou arduamente que o novo monumento pode ser inaugurado três anos depois, em 9 de Maio de 1886. A escultura foi feita nas oficinas Teixeira, do Campo de Santa Ana, e foi paga exclusivamente à custa do benemérito João Antunes Guimarães, No dia 5, foi conduzida, solenemente, para o alto da Montanha, tendo então sido realizada no seguinte dia 9, quando foi benzida a imagem, e cumprindo-se assim também um voto solene. Desde 1885, que grassava por toda a Europa, uma epidemia de colera-morbus, epidemia que, principalmente na vizinha Espanha, tão perto de nós, estava a causar muitas mortes. Os bracarenses aflitos, voltam-se, pedindo a sua intercessão à Sagrada Virgem, para que tal flagelo fosse afastado de Portugal. No dia 27 de Julho de 1885, a população bracarense em peso, tendo à sua frente o Venerando Pastor e todas as autoridades eclesiásticas e civis, reunidos na Igreja do Pópulo, fez a solene promessa à Santissima Virgem, ir em peregrinação ao Sameiro se “a cidade e toda a Nação ficasse isentas da peste”. E assim foi cumprido o voto. Essa imagem, várias vezes ocupando lugares diferentes, esteve durante vários colocada num pedestal, na esplanada em frente do construído templo. Julgo que hoje está colocada no cimo do monte da Falperra. Com a definição dogmática da Imaculada Conceição, diz o livro do Padre Leite, “A História do Sameiro”, a pag. 102, “tinha ficado marcada com um glorioso monumento no alto do Sameiro, pensou o Concílio Vaticano, (pouco antes convocado” e a definição dogmática da infalibilidade Pontifica com uma capela próxima desse padrão e como ele dedicado à Padroeira dos portugueses”. Aproveitando a ideia, o Padre Marinho, ele mesmo traçou a planta baixa da capela que no interior apresenta a forma da cruz romana e, no exterior, a de um octógono. Aprovado pelo Eng. Francisco António Limpo, deu-se início à obra para a qual dois lavradores da região ofereceram, gratuitamente o terreno necessário à construção do templo. “Consistirá o novo monumento por uma espaçosa capela, que se edificará (como de facto se construiu), que se edificará no Monte Sameiro… Será dedicada a capela à Santissima Virgem Imaculada na sua Conceição debaixo de cujo patrocínio foi convocado o Concílio Ecuménico e aberto no dia da sua festividade”. Segue-se depois, no caderno de encargos, a disposição dos altares. O Altar-Mor seria dedicado em honra da Imaculada Conceição, e os dois laterais em honra do Patriarca São José, patrono da Igreja Católica, e o outro ao Príncipe dos Apóstolos S. Pedro. A Comissão contava com a generosidade dos crentes para levar avante tão ousada obra, o que veio a acontecer, tendo para isso organizada uma peregrinação que partiu do Santuário do Bom Jesus, a frente da qual presidiu, em representação do Prelado da Arquidiocese, o Rvd. Abade de Soutelo, Desembargador Lúcio António da Costa, que aspergiu com água benta, benzendo o lugar que seria ocupado pelo novo templo. Se quanto à planta do templo a Comissão estava toda de acordo o mesmo não se poderá dizer quanto à escolha do local para o edificar. Entretanto tinha falecido o Padre Martinho, o único que talvez pudesse resolver a questão a contento de todos. A Comissão tinha-se dividido em dois partidos. Uns queriam que se mudasse o local da capela em construção (já tinham abertos os caboucos, para os alicerces ). alegando que no local, onde se encontrava, ficaria muito desabrigado, e não era visto pelos habitantes de Braga e tirava o esplendor ao monumento que sozinho devia dominar a imponência do Sameiro. Contra a opinião destes, opunha-se a outra facção, dizendo que o local escolhido tinha sido o ideal. Pois esse era o melhor sítio para o imponente templo e em nada tirava o esplendor ao Monumento à Virgem Maria. Vária foram e tumultuosas as reuniões da Comissão, Duraram anos, mas a obra ia seguindo o seu ritmo, Finalmente chegaram consenso e lá está à vista de Braga inteira o templo que é hoje um marco da religiosidade do povo minhoto e não só. E assim num sábado 28 de Agosto de 1880, sete anos após a bênção da pedra fundamental, foi finalmente benzida a nova capela, que no dia seguinte receberia a imagem de Nossa Senhora, esculturada em Roma. Para este acto foi encarregado pelo Prelado da Arquidiocese, o Padre José Silvério da Silva, Secretário da Comissão das Obras. No dia seguinte, 29 de Agosto, chegou a esta capela em soleníssima peregrinação, a imagem de Nossa Senhora do Sameiro, imagem cuja descrição mais à frente desenvolveremos. Grande multidão de povo acompanhou a Senhora para a sua morada, Imediatamente se notou que a pequena capela era insuficiente para albergar tão numerosos peregrinos, nem tampouco tinha dignidade para tantos fiéis que a visitariam, nem para o monumento que a enfrentava. Por estas razões, dez anos mais tarde, ao tempo do Arcebispo Dom José de Freitas Honorato, foi resolvido construir um novo templo, cuja primeira pedra foi lançada no dia da peregrinação em 31 de Agosto de 1890. E agora novas discussões se levantaram, pois nem todos concordavam com os projectos apresentados. Finalmente optou-se por um mas quando da inauguração ficou inacabado. As torres focariam para mais tarde, e estariam projectadas para acompanhar um pequeno zimbório já construído. Devido aos cataclismos políticos e religiosos que sacudiram o princípio do século XX em Portugal, a construção deste novo templo demorou a acabar-se cerca de 40 anos. Completou-se entretanto a fachada, e só em 1931 se veio a incrustar uma nova série de obras. E aqui principia de novo o desacordo. Sobre projecto do Arquitecto José Vilaça, é apresentado o desenho de um novo e altíssimo zimbório, que substituiria o primitivo mas que alguns membros achavam que não se coadunava com as torres. Escolheu-se o trabalho do arquitecto Vilaça, foi quase feito na íntegra, pois este iria “dar ao templo maior magestade e distinção”. Com base pentagonal, diz a publicação que nos serve de guia, formada por outros tantos arcos, a partir da altura do tecto vai-se adelgaçando até ao fecho da abóbada em forma circular. A Cruz que encima a esfera do topo está à altura de quarenta metros, a contar do pavimento “. A seguir, informa, o livro a que já nos referimos, imponência dos trabalhos realizados para a confecção do zimbório. Diz que só uma das vigas, que constituem o complemento da largura que não existia em duas das faces do pentágono, onde assenta o grandioso zimbório, gastaram esta quantidade monstruosa de material, índice das proporções da obra : 96 barras de ferro com o peso de sete toneladas. Cinquenta metros de cascalho pesando oitenta toneladas, vinte e cinco metros cúbicos de areia com o peso 22 toneladas e seiscentos quilos de cimento. Será possível calcular, pelo dispêndio de uma só viga, o que se teria gasto sido gasto em todo o conjunto da grandiosa obra do zimbório, que veio a ser cúpula solene , que está a cobrir o maravilhoso altar de mármore e granito polido que se nos apresenta ? Se possível façam a conta e vejam que sacrifício teria que ter feito a Confraria do Sameiro para nos proporcionar tão espectacular altar ? Quantas esmolas dos crentes na Virgem teriam sido necessárias ? … / …


publicado por Varziano às 15:31
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