Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Abastecimento de água
-----A EXPLORAÇÁO DE ÁGUA NO SEC. XVIII Quando se fala na exploração e abastecimento de água à cidade, no século XVIII, alia-se imediatamente esta notável obra ao Arcebispo Dom José de Bragança, (1741 - 1759). Foi de facto devido à sua acção que, possivelmente, o incremento do abastecimento da preciosa linfa chegou com mais abundância a Braga. Mas, uma coisa esquecida, nunca, pelo menos que eu saiba, foi revelada. Se Dom José tem a fama e o proveito, não podemos esquecer que antes dele, tinham sido tomado medidas para a resolução satisfatória para o tempo desse grande problema que afligia os povos bracarenses, aos quais os Arcebispos não eram alheios. Temos conhecimento que já no início do século XVI e no final desse século outros tinham tentado, na medida das suas possibilidades, aproveitando para tal as nascentes que dentro do aro da urbe existiam. Folheando os " Fastos Episcopais " de Monsenhor Ferreira, notamos que no Tomo III, pag. 267, uma breve e lacónica nota referente aos gastos que Dom Rodrigo de Moura Telles ( 1704 - 1728 ) fez com o que mandou fazer na sua cidade, diz em "Várias " - Mandou fazer diversas obras para a canalização das águas da cidade e algumas calçadas, no que gastou 2.400$000 reis. Ora, por esta informação pouco ficamos a saber do que foi a sua acção na exploração das águas. Consultando os Livros de Vereações do período em que Dom Rodrigo de Moura Telles esteve à frente da Cátedra Bracarense, vemos que foi a partir desse período que de facto se olhou com muita atenção para o problema da água. Foi nessa altura que se tratou de trazer a água das nascentes do Lugar de Passos para a cidade. Já em 1717, Julho, 24, conforme consta do livro de Vereações de 1707 - 1720 , fol. 182, consta um contracto feito com António Barreto Gavião, para a cedência da água do seu prédio-quinta, situado no Quinteiro ( Campo Novo do Reduto ), água que se destinaria ao abastecimento da cidade. No livro Index de alguns livros de Registo de Despesas -1716 - 1723, Dom Rodrigo manda que sem demora façam continuar a obra dos canos de água pelo Quinteiro. Não se tratava, é certo de Água das Sete Fontes. Mas Dom Rodrigo tinha conhecimento das várias nascentes e minas que existiam no Lugar de Passos, hoje mais conhecido pelas " Sete Fontes " no Bairro da Alegria, e mandou se reunissem todas essas águas por galerias numas caixas de água e pias que se fariam e que em canos de pedra abasteceriam os fontenários e fontes espalhados pela cidade. Para isso mandou por a lanços a obra da feitura dos canos de pedra necessários, e que foram arrematados por dois empreiteiros que comprometeram a faze-los para trazer a água à cidade. Ao mesmo tempo tratou-se de mandar fazer as caixas de água " até à derradeira fonte que está debaixo do castanheiro " . Mas para extrair a água das minas para as caixas de água, era necessário mandar fazer alcatruzes do que se encarregou João Gonçalves, do Couto de Tibães. Tendo surgido novas nascentes, foi preciso fazer novas Caixas de água. Com mais água era também preciso novas condutas para um melhor abastecimento à cidade. No Eirado construi-se uma Casa de água que ficou a abastecer as fontes do Caramanchão e a do Cavalinho, junto à porta do Souto, ( largo Barão de São Martinho ). Em 1721, a Outubro, 19, entra na Camara uma queixa dos confrontantes do lugar de Passos, alegando que pelas explorações feitas no lugar tinham falta de água nas suas propriedades. Como tal pedem uma indemnização. Para sanar a questão é nomeada uma comissão para medir as obras feitas e a renda a pagar como compensação dos prejuízos aos confrontantes. Em 1721, em Dezembro, 3, o Cónego Meira Carrilho, cria inúmeros problemas à Comissão que viriam a ser resolvidos. Com o a créscimo de água e com também acréscimo de consumo torna-se necessário fazer mais pias de mergulho e fazer mais canos tendo para isso sido aberto concurso. Entretanto é também descoberta uma nascente de água em Montariol, que logo é aproveitada para, pelos já famosos canos de pedra, essa água passar a abastecer o populoso lugar do Areal e toda a zona norte da cidade através da Arca de Água no Terreiro de São Vicente. Com tanta obra tornou-se imperativo criar paredões de pedra para a suster a água e ela não se perder, já que naquele tempo como hoje a água é uma das necessidades da vida. Também em Montariol, a água era extraída pelo processo de alcatruzes. Com água em abundância, o Senado da Camara, por certo com o acordo do Arcebispo já que era ele o Senhor de Braga, resolveu em 9 de Agosto de 1724 por a lanços a feitura da fonte do Largo do Penedos ( que será feita dela ??? ), e com as condutas partindo da Caixa de São Vicente pela rua dos Chãos de Cima ( hoje rua de São Vicente ), chegar ao novo fontenário. Ainda no tempo do Arcebispado de Dom Rodrigo - livro de Vereações de 1720 - 1726 - Novembro 29, fol. 202 v. , foi necessário comprar umas casas a favor do Senado da Camara, em Infias, para por elas passarem os novos canos de água para abastecimento da cidade. Finalmente, em 12 de Março de 1725, fol. 213, do livro de Vereações de 1720 - 1726, foram arrematadas pelo mestre pedreiro António de Oliveira, as coberturas das caixas de abastecimento de água à cidade. Todas estas informações foram recolhidas nos livros de Vereações do Senado da Camara do período em que governava a cidade o notável Arcebispo Dom Rodrigo de Moura Telles, que encheu a cidade de monumentos barrocos, pelo qual ficou mais conhecido, mas que não só marcou a sua estadia em Braga., transformando-a numa cidade monumental , mas também foi ele o impulsionador do abastecimento de água que perdurou até à segunda dezena do século passado. Com isto não se pretende tirar o mérito à notável obra de Dom José de Bragança, que soube aproveitar e bem a obra do seu antecessor. Braga, Setembro de 2002 LUIS COSTA


publicado por Varziano às 19:23
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